
Agua mole em pedra dura
No fluxo das águas que descem da serra, cada palavra encontra seu leito. Entre pedras e areia, a prosa se faz passagem — ora cristalina, ora turva de limo e de memória. É assim que a casa da literatura do Norte vem sendo construída, pedra sobre pedra, verso sobre verso.
Dizia a avó, enrolada no cobertor de retalhos, que todo texto bom tem perfume de chuva nova sobre terra quente. E ela sabia: fiava as noites com histórias que o tempo não desfiava. Agora é a vez dos que vieram depois: colher o fio onde ela parou, puxar devagar, não arrebentar.



